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Do ler e escrever

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De tudo quanto se escreve, agrada-me o que alguém escreve como o próprio sangue. Escreve com sangue; e aprenderás que sangue é espírito. Não é quase possível compreender o sangue estranho; eu destesto todos os leitores ociosos. Quem conhece o leitor, já nada faz para o leitor. Mais um século de leitores, e o próprio espírito terá mau odor. Que todo mundo tenha o direito de ler e aprender a ler, eis o que com o tempo vos desgosta; não só de escrever, mas de pensar. Outrora o espírito era Deus, mas depois se fez homem; agora se fez plebe. Quem com sangue e em máximas escreve não quer ser lido, mas guardado de memória. Nas montanhas, o mais curto caminho vai se cimo a cimo; mas é mister pernas largas. É mister que aforismos sejam cimos, e aqueles a quem falas, homens altos e robustos. Um ar leve e puro, o perigo próximo e o espírito cheio  de uma alegre malignidade, eis o que se harmoniza bem. Gosto de me cercar de duendes, porque sou valente. A cora...

A Primeira obra de muitas que virão.

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Vitor Lacerda lançará em breve sua primeira obra (em versão para kindle já está pronta ), como não tenho ainda o leitor digital, vou esperar a versão no bom e velho papel e assim me deliciar com o texto desse grande amigo. Abaixo temos uma amostra do que iremos encontrar no interior desse livro. Bem  vindos!  E se me permitirem já quero chamá-los de meus amigos. Eu sou escritor e filósofo… Espero fazer desse blog  um espaço aberto a todos que desejam um refúgio. Um lugar onde possamos caminhar sob os pensamentos.   Todos são bem vindos para  contribuir com a sua presença, a sua palavra, o seu sentimento, a sua concepção de mundo, o seu desabafo, a sua crítica… A filosofia nasce de nosso desejo de encontrar um sentido às incertezas do mundo.  Ora, se o mundo é tão incerto; então, só podemos contar  uns com os outros.  É nesse sentido que temos que caminhar sob os pensamentos e contemplar as diversas  concepções de mundo ...

O blog, o povo na rua e o cotidiano

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                                                         Ari Monteiro Pode parecer para alguns que esse blog foi abandonado, ledo engano para a tristeza dos nossos leitores e amigos. Aqui estamos de volta e para falar sobre fenômeno (lembremos que para a filosofia o fenômeno é o que se apresenta). O momento presente de nosso país exige reflexões que vai  desde a simples ideia de que o povo na rua é mais um "desses baderneiros de esquerda" (quantas vezes não ouvimos isso no início do anos 80, não é amigo Marcelo),  até  complexas análises sociais feitas por intelectuais, cientistas, filósofos e outras tantos "especialistas" em povo. Os de ideias simplórias, que não necessitam de longas reflexões para serem entendidas e não abrem caminho para grande debate, encontramos pessoas como este que escreve essas linhas, filho de um...

Do pálido criminoso

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“Vós não quereis matar, juízes e sacrificadores, enquanto a besta não inclinar a cabeça? Vede: o pálido criminoso inclinou a cabeça; em seus olhos se expressa o grande desespero. ´ Meu Eu é o que deve ser superado; meu Eu me inspira o profundo desprezo do homem´  - eis o que diz esse olhar. Seu mais alto momento foi aquele em que julgou a si mesmo. Não deixeis descer dessa cima para cair em sua baixeza! Para quem tanto sofre por si, não há mais salvação que a morte rápida. Vosso homicídio, ó juízes, deve ser compaixão e não vingança. E ao matar, cuidai de justificar a sua própria vida! Não vos basta reconciliar-vos com o que matais. Que vossa tristeza seja o amor ao Além-Homem; assim justificais vossa super-vivência! Dizei ´ inimigo ´ e não ´ malvado ´; dizei ´ enfermo ´ e não ´ infame ´; dizei ´ insensato ´ e não ´ pecador ´. E tu, juiz vermelho, se dissesses em voz alta o que fizeste em pensamento, todo o mundo gritaria: ´ Fora com essa i...

Das alegrias e das paixões

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Irmão, quando tens virtude, e essa virtude é tua, não a tens em comum com ninguém. Na verdade, tu queres chamá-la por seu nome, e acariciá-la; queres puxá-la pela orelha, e divertir-te com ela. Vês! Tu agora dás-lhe um nome que é comum a ti e ao teu povo, e te fizeste povo e rebanho em tuas relações com tua virtude. Farias melhor em dizer: “inexpressável e sem nome é o que constitui o tormento e a doçura de minha alma, e o que é também a fome de minhas entranhas”. Que tua virtude seja demasiado alta para a familiaridade das denominações; e se necessitas falar dela, não te envergonhes de balbuciar. Fala e balbucia assim: “Este é o meu bem, o que amo: assim é como me agrada plenamente; é só assim como eu quero o bem. Não o quero como mandamento de um deus, nem como uma lei e uma necessidade humana; não há de ser para mim um guia para regiões transcendentes nem para paraísos. O que amo é minha virtude terrena, que pouco tem a ver com a sabedoria e men...

Niilismo, Política, História

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Rossano Pecoraro - UFPI/CAPES-PNPD * Resumo: O objetivo deste ensaio é examinar o conceito de niilismo não nos seus aspectos teorético conceituais, mais no seu impacto no que podemos definir como “filosofia prática”, in primis história e política. Entre os movimentos e autores abordados estão o niilismo russo, Carl Schmitt, Walter Benjamin, Alexandre Kojève, Arnold Gehlen, Gianni Vattimo. Palavras-Chave: Niilismo, Filosofia da História, Filosofia Política, Modernidade. Desde o fim do século XVIII o niilismo – isto é, a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e de resposta ao “porquê”; a crise epocal em que os valores tradicionais se depreciam e os princípios e critérios absolutos se dissolvem – insinuou-se na História não apenas em sua feição teorética e filosófica, como em seu mostrar-se no plano social e político. Para examiná-lo esses fenômeno um significativo ponto de partida são a cultura francesa, alemã e russa do Ottocento. É das ...